Rui Gomes da Silva – Antes e depois de estar no poleiro

Hoje foi colocado no forum serbenfiquista uma coluna de opinião do vice-presidente do Benfica do ano 2000, e é engraçado que o que ele no ano 2000 criticava é o que hoje após 12 anos faz no Benfica…são estas as pessoas que temos a liderar o clube, pessoas sem espinha, que se contorcem conforme lhes dá jeito…

Aqui fica o artigo, assinalando a parte mais interessante…

QUIS O DESTINO QUE A «FULANIZAÇÃO» TOMASSE CONTA DO DEBATE
terça-feira, 24 outubro de 2000 | 01:20
Autor:RUI GOMES DA SILVA, sócio n.º 4645

NEM a distância nem o tempo contribuíram para apagar a imagem de outras eleições, onde ser-se a favor de alguém não significava ser-se contra o Benfica.

Recuso, por isso, esta ideia mais própria de ditaduras do que da democracia que o Benfica sempre se orgulhou de ser, mesmo no tempo em que os ventos não corriam de feição.

Sei o que quero para o clube de que sou sócio desde que nasci, há mais de 42 anos (e, em boa verdade, nada aconteceu de substancial que me levasse a mudar de atitude face à campanha de 1997, quando entendi ser Luís Tadeu o melhor presidente para o Benfica).

Lamento, todavia, que toda a discussão eleitoral se faça sem qualquer respeito pela inteligência dos sócios de um clube que nos últimos 50 anos confundiu a sua existência com a história e a afirmação de Portugal no Mundo e que é, hoje, depois da língua portuguesa, o elo mais forte de ligação entre a comunidade lusófona.

Talvez tenha tido razão antes do tempo (como poderei esquecer a forma como fui tratado na Assembleia Geral de 22 de Maio de 1988?), mas não posso deixar de pensar se o que quero é ver o Benfica reduzido a mais uma empresa pública, com o capital social detido, maioritariamente, por empresas que dependem política ou economicamente do Estado ou por empresas sediadas em paraísos fiscais e sobre quais as consequências de uma ou de outra opção.

Esperará o Governo que alguém lhe entregue o Benfica, numa redoma, sem ter que “sujar as mãos”, numa intervenção disfarçada de salvação económica, para poder honrar compromissos relacionados com o Euro- 2004 ou poderá o Benfica viver, no futuro, de costas voltadas para toda a estrutura do futebol nacional, incluindo a organização desse mesmo Campeonato da Europa?

Deveriam ser estas as questões da campanha eleitoral, mas quis o destino que a “fulanização” (sempre perigosa para a parte menos carismática) tomasse conta de um debate em que cada um dos concorrentes “tem” os seus órgãos de comunicação social, sem que os sócios percebam, muito bem, o que poderá a TVI dar ao Benfica, que a SIC não possa, ou vice-versa?

Escrevo este artigo depois de ter visto, neste fim-de-semana, o Manchester United-Leeds, o Udinese-Inter, o Barcelona-Real Madrid, o Milan-Juventus, o Brescia-Fiorentina, etc., e recuso-me a admitir não haver meio de inverter essa tendência para a mediocridade do futebol do Benfica, como o que apresentou em Paços de Ferreira.

Mesmo num jogo como o Sporting-Porto, consegui ver mais de meia equipa de um Benfica deitado à rua, por meia dúzia de escudos.

Que falta fazem Dimas, Paulo Bento, João Pinto, Ovchinnikov, Deco, Cândido Costa!

E se a estes acrescentarmos Hugo Leal, Gamarra, etc., percebe-se porque acredito ser possível fazer com que o Benfica volte a ter uma grande equipa de futebol, que discuta todos os títulos, mesmo os europeus, em todas as épocas, afastando de si a ideia de decadência e de descrédito.

Conheço, bem de mais, a determinação dos arrependidos, mas considero mais responsáveis os que optaram pelo silêncio conivente, pelo apoio tácito ou pela ausência, na tentativa de fazer esquecer antigos apoios.

Não me peçam para, agora, confiar nos que só descobriram a verdade quando foram despedidos ou nos que entendem que o Benfica não vai lá com as soluções que, há três anos, fizeram crer aos sócios ser o caminho para… a terra prometida. E se se enganam outra vez?

É pena que o tenham reconhecido a tempo, mas, a uns como a outros, apenas se pede que não voltem a falar de “espinhas dorsais da selecção nacional”, de “futuros Maradonas”, de “moinhos de vento” transformados em inimigos, que apenas servem para disfarçar os seus próprios erros!

Quero um Benfica onde, em cada ano, se continue a obra do passado e não se anuncie um novo projecto, como se nada se tivesse passado, como se as responsabilidades do fracasso não fossem de ninguém!

Quero um Benfica com uma gestão séria e profissional (o que não significa entregue a pessoas do Porto ou do Sporting), que entenda que o futebol vive da mão-de-obra mais especializada do mundo, que não respeita critérios de produtividade, onde o nível salarial varia na razão directa do tempo do contrato e em que o produto final depende da incerteza mas, essencialmente, da satisfação dos sócios.

Quero um Benfica cujos responsáveis não desbaratem nem desvalorizem, com declarações patetas ou atitudes moral e judicialmente condenáveis, os activo do clube, levando à perda de competitividade.

Quero um Benfica com uma liderança forte e respeitada em todo o País, credível no mundo do futebol, nacional e internacional, com a força necessária para fazer corresponder o País do futebol ao País dos adeptos, contrariando o “deficit” de representação a que sucessivas lideranças conduziram o clube, nos últimos anos.

Quero um Benfica com os melhores jogadores portugueses, de forma a que a juventude se identifique com o clube e com as suas vitórias.

Quero um Benfica que não tenha necessidade imediata de vender jogadores – pressa que sempre se torna inimiga dos bons negócios – assumindo o princípio de que o futebol é, cada vez mais, neste mundo dominado pela televisão, o espelho do clube.

Quero um Benfica com um modelo de jogo (ataque planeado e continuado) verticalizado, desde as escolas de jogadores à equipa principal, recusando ser uma mera montra de passagem para o futebol europeu ou o último reduto de uma qualquer pré-reforma dourada.

Quero um Benfica que nunca se contente com um segundo lugar, com jogadores que saibam quanto se sofre, no Mundo, quando “não ganhámos”.

Quero um Benfica que seja uma das (duas?) equipas portuguesas a participar nas futuras competições europeias de clubes, ao lado do Real Madrid, Barcelona, Ajax, Milan, Juventus, Bayern, Manchester United, etc., sem qualquer complexo de inferioridade ou medo de perder.

Quero um Benfica capaz de inverter o ciclo vicioso que o tem consumido nestes últimos dez anos (maus resultados/falta de apoio, falta de apoio/falta de dinheiro, falta de dinheiro/venda de jogadores, venda de jogadores/maus resultados).

Quero um Benfica de gente honrada, séria, de bom senso, com credibilidade, mas, acima de tudo, que saiba como gerir o… futebol, pois entendo como impossível vir a ser eleito Presidente do Clube e nada ter a ver com a SAD.

Quero, enfim, um Benfica campeão!

Não me arrependo de nada, mas de nada, do que fiz, até hoje, pelo Benfica!

Vou, por isso, votar em consciência em quem penso mais se aproximar do que julgo ser o melhor para o futuro imediato do Sport Lisboa e Benfica!

E já agora aconselho a leitura da crónica de João Querido Manha hoje no jornal Record, aqui fica:

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