Benfica precisa de um novo Borges Coutinho!

Deparei-me com esta frase num artigo do blog “Inferno da Luz”:

“Tendo em conta as circunstâncias e o contexto, Luís Filipe Vieira é o melhor
Presidente de sempre do Sport Lisboa e Benfica. Já o disse e repito, com Borges
Coutinho e Maurício Vieira de Brito completa uma tríade de líderes que ficarão
para a posteridade.”

Considero esta frase um atropelo à história do Benfica e aos seus outros 32 presidentes, entre os quais aqueles que considero, esses sim, os melhores:

  • José Rosa Rodrigues
  • Maurício Vieira de Brito
  • Fernando Martins
  • José Ferreira Queimado
  • Joaquim Ferreira Bogalho

E aquele que para mim é o Presidente dos Presidentes, e bem que o Benfica precisava de alguém assim agora: Borges Coutinho!

Este sim o maior presidente do Benfica!

A propósito disto deixo aqui o excerto de um texto do blog “Em Defesa do Benfica” sobre o mesmo:

Em 12 de Abril de 1969 os 2 839 associados do Benfica detentores de 44 810 votos elegeram como presidente da Direcção Duarte António Borges Coutinho (lista A) com 58 por cento dos votos, cabendo aos dois outros indigitados para igual cargo, Fernando Martins (lista B) e Romão Martins (lista C) respectivamente 31 e 17 por cento dos votos. Para presidente da Mesa da Assembleia Geral foi escolhido Justino Pinheiro Machado com 26 093 votos e para presidente do Conselho Fiscal, o Dr. António José de Melo com 25 971 votos.

Educação esmerada em Inglaterra

Borges Coutinho nasceu em Lisboa, a 18 de Novembro de 1921, frequentando em criança o nosso Estádio das Amoreiras onde se fez benfiquista, mas seria em Inglaterra que teria educação esmerada, estudando engenharia. Quando se iniciou a 2.ª Guerra Mundial alistou-se como voluntário na RAF, sendo piloto da aviação. Esse tempo de vivência no Reino Unido moldou-lhe a personalidade gabando o regime democrata e liberal inglês que permitiam, segundo ele, desenvolver os povos no sentido de procurarem ser melhores e mais inovadores. Algo que se cerceava em Portugal. Não foi um acaso, logo três dias após o 25 de Abril, deslocar-se à Junta de Salvação Nacional apresentar cumprimentos e colocar o Benfica ao dispor do poder democrático. Isto enquanto o Conselho Leonino debandava para Espanha e Brasil, e alguns “fachos” do FC Porto, como Pinto de Magalhães “meterem o rabinho entre as pernas” a caminho do exílio. Em 1974, Pinto da Costa não passava, em termos políticos, de um reles reaccionário. Desde 1974 apenas deixou de ser reaccionário…

Um democrata em tempo de ditadura

Depois do regresso a Portugal formou-se em “Ciências Económicas e Financeiras” ingressando como associado do “Glorioso”, aos 37 anos, em 19 de Maio de 1959. Menos de cinco anos depois foi eleito a 26 de Março de 1964 como director dos Assuntos Administrativos e das Instalações Sociais sob a presidência de Adolfo Vieira de Brito. Depois de concorrer como director em duas listas derrotadas nas eleições de 8 de Maio de 1965 (com Fernando Lourenço indigitado para presidente da Direcção) e 17 de Junho de 1966 (com o General João Caeiro Carrasco indigitado para presidente da Direcção), concorre aos 47 anos a presidente da Direcção conseguindo ser eleito pelos associados do Clube, cargo onde se manteve durante quatro biénios consecutivos. O modo como exerceu a presidência, com eficácia mas também com naturalidade, permitia ter a ideia que “Borges Coutinho nascera para ser presidente do Benfica!”. A gerência brilhante de 1969/70 possibilitou a sua reeleição para mais três mandatos consecutivos, sempre sem oposição – a 3 de Julho de 1971 eleito com 8 805 votos de 507 associados, a 31 de Março de 1973 eleito com 11 153 votos de 629 sócios e a 24 de Junho de 1975 com 5 294 votos de 306 associados. Entretanto a 14 de Março de 1973 foi eleito com a distinção suprema do Clube, a “Águia de Ouro”.

Um exemplo de Benfiquismo

Depois de quatro biénios consecutivos, Borges Coutinho não concorreu às eleições de 26 de Maio de 1977, mas a sua extraordinária acção prolongou-se muito para além da sua gerência, permitindo ao “Glorioso” conquistar ainda títulos e prestígio nas décadas seguintes, apesar dos erros que seriam cometidos sucessivamente pelos benfiquistas (associados) – dirigentes ou apenas sócios! Borges Coutinho teve também o mérito (e não foi pequeno…) de com as suas gerências bem sucedidas, equilibradas e o seu carisma, apaziguar alguma desunião associativa que se começava a esboçar entre os benfiquistas durante a segunda metade dos anos 60, mas que (infelizmente…) recrudesceria depois do seu afastamento em 1977!

Afastado pela doença que seria fatal

Após 2 967 dias como presidente da Direcção, Borges Coutinho aos 55 anos afastou-se do dirigismo desportivo. Terminava uma das melhores gerências da nossa gloriosa história, incomparável a qualquer presidente de clubes adversários – passados ou actuais, até porque teve por substrato a delicadeza e finos propósitos de educação! Figura grande da sociedade portuguesa, marquês da Praia e Monforte amava fervorosamente o Benfica, jamais lhe regateando dedicação e sacrifícios, nos bons e maus momentos sempre com uma dignidade ímpar, modelando e inspirando, no mesmo sentido e com o seu exemplo os sentimentos e acções dos seus pares, sempre no desejo de elevar bem alto o nome do Benfica e não o seu (porque ele não precisava do nome do Benfica para ser grande). Faleceu aos 59 anos, em Londres, onde se encontrava a fazer exames médicos, em 18 de Maio de 1981.”

Para quando o aparecimento de um presidente assim? Era tão bom que fosse já nestas eleições!

P.S: Há que dar o desconto ao blog “Inferno da Luz”, pois não passa da voz de Vieira nos blogs. Blog esse que, ultimamente, a cada ano que dá para o torto escreve um artigo a dizer que a época seguinte é o “ano zero” de Luis Filipe Vieira. Já lá vão 8 “anos zero”, descontando os anos do titulo.

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2 thoughts on “Benfica precisa de um novo Borges Coutinho!

  1. Sem dúvida, Borges Coutinho foi para mim uma figura incontornável do Dirigismo no Benfica.
    E também não gostaria de deixar de referir o respeito que tinha para com todos os outros dirigentes…classe, fairplay, etc. E se não estou em erro, foi o presidente com mais títulos no SLB.

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