“E eis-nos no topo da tabela, vá lá saber-se por quanto tempo.” por Leonor Pinhão

Excelente crónica, e que fala da “esponja” que foi passada em cima do resultado da Assembleia Geral.

“Ninguém, por mais douto que queira parecer, poderá dizer que estava avisado de que o FC Porto iria tropeçar em Vila do Conde graças a dois Tarantinis na mouche. É verdade que são situações que podem acontecer mas como são raras as vezes que acontecem ficaram os benfiquistas, entre os quais me incluo, agradavelmente surpreendidos com o balanço da última jornada do campeonato.
E eis-nos no topo da tabela, vá lá saber-se por quanto tempo.
Por isso é muito importante o próximo jogo com o Beira-Mar. E é na Luz.
Jorge Jesus já disse que este ano o importante é o campeonato. Não podia estar mais de acordo com o treinador do Benfica. Este ano e todos os anos, pode-se acrescentar sem menosprezo pelas demais competições em que o clube está envolvido.
Para além do campeonato, o Benfica viu-se envolvido no princípio da semana com a Liga dos Campeões e recebeu o Barcelona tendo-se registado um lisonjeiro 0-2 desfavorável aos donos da casa.
O Benfica não fez mais nem menos do que, normalmente, fazem os adversários do Barcelona. Não há adversário do Barcelona que não se considere lisonjeado com o resultado, desde que a coisa não dispare para a goleada.
Na primeira parte, o Benfica bateu-se bem com os catalães. O próprio guarda-redes, Victor Valdéz, não teve pejo em afirmar que “hacia tempo que no me llegaban tanto al área”, o que não pode deixar de ser considerado como um elogio.
Na segunda parte, aconteceu o que se esperava. O Barcelona poupou-se para o jogo com o Real Madrid e o Benfica poupou-se para o jogo com o Beira-Mar. Realismo, é o que se pede. No entanto, neste clima de poupanças, vieram exageradamente ao de cima as diferenças entre os dois blocos. Mas sobre esse assunto ninguém precisava de ser avisado.
Lisonjeiro, é a palavra.
*
Curiosa a reacção de Luís Nazaré, presidente da mesa da assembleia geral do Benfica, no fim que foi bem turbulento da última reunião de sócios do Benfica. Como é do conhecimento público, a maioria dos presentes votou contra a aprovação do relatório e contas do clube e manifestou-se desabridamente contra a gestão política e a gestão desportiva do Benfica que vinha de empatar um jogo em Coimbra, facto relevante.
“A Direcção e os órgãos sociais vão tirar as ilações devidas”, disse Luís Nazaré e depois disso não disse mais nada. Há coisa de quinze dias, no rescaldo da manifestação de 15 de Setembro que encheu as ruas de Lisboa de contestatários ao regime, vieram governantes a público dizer exactamente a mesma coisa que disse Nazaré. Que iam tirar as ilações devidas. Ainda devem estar a tirar.
O Benfica é assim. Sempre a par do país. E diz o povo queixoso que nem para um nem para outro existem alternativas à mão.
A verdade é que já há muitos anos que não havia no Benfica uma assembleia geral tumultuosa e de cariz insurreto. Sobre o assunto já ouvi de tudo. Desde o Benfica está de volta a preitos de gratidão a Luís Filipe Vieira pelo que fez pelo clube na última década. Tudo normal tendo em conta que estamos em mês de eleições depois de o Benfica ter visto sair os seus dois melhores jogadores e depois de ter perdido dois campeonatos para o FC Porto.
Deixem-me que vos conte uma história: o meu avô era um grande benfiquista e sempre que havia eleições votava no presidente que tinha terminado o exercício. Ou seja, nunca votou para derrubar uma Direcção. Algumas vezes o seu candidato perdeu e o meu avô (quando morreu era o sócio n.º 47) dizia sempre a mesma coisa: “Deus queira que fique lá muitos anos porque é sinal de que continuamos a ganhar títulos.” E, com esse espírito, apoiava o recém-eleito como tinha apoiado o antecessor. E lá se continuava a ganhar títulos.
Entretanto passaram-se muitos anos e muitas coisas que deitaram por terra este critério e outros. Reconheça-se a Luís Filipe Vieira, por exemplo, o mérito de conseguir aquilo que era impensável, ou seja reeleger-se presidente do Benfica com votações brutais, praticamente sem oposição, sem ter para apresentar aquela carteira de títulos que, antigamente, era cartão-de-visita dos presidentes do Benfica.
Este Outubro vai voltar a acontecer a mesma coisa. Na hora de votar, os benfiquistas vão reeleger o presidente do seu clube, alguns com fervor e gratidão, outros por desfastio, queixando-se de que não há alternativas. Assim caminha Vieira para um recorde que muito surpreenderia os nossos antigos.
Pela minha parte, tenho um pedido a fazer: que o presidente não consinta que tenhamos de ouvir, depois da próxima xistrada que o Benfica trabalha tão bem, tão bem, tão bem que até “estava avisado”.
É que não podemos votar neles para a FPF e para a Liga e para o Conselho de Arbitragem e depois virmo-nos queixar de que fomos “avisados”.
A par do empate em Coimbra e das outras circunstâncias já referidas foi esta a frase – a do “fomos avisados” – que contribuiu de modo decisivo para o incêndio da última assembleia geral.
O resto é democracia. E pode ser, há quem diga, um grande tormento. Mas isso toda a gente sabe. E o presidente do Benfica também.
*
Na semana passada houve notícia de que o líder em funções no FC Porto, Antero Henrique, se deslocou à capital para ter uma reunião “secreta” com o pessoal do Conselho de Arbitragem da FPF. O móbil seria decretar o veto do FC Porto a dois árbitros nacionais, Duarte Gomes e Bruno Paixão. Por alguma razão ninguém deu grande crédito à notícia. Entretanto, o assunto felizmente morreu.
Houve um tempo em que os clubes tinham direito de vetar um ou dois árbitros por temporada. E de forma explícita e declarada à FPF. Isto acontecia antes de haver Liga.
Poderia haver clubes que, por embirração histórica, soubessem logo no início da época o nome dos árbitros que não queriam ver pela frente e haveria outros clubes, provavelmente mais sagazes, que começavam por não vetar ninguém à espera de ver como paravam as modas e só depois, com o andar da carruagem, iam aplicando as sanções a que tinham direito.
Com franqueza, não vejo nada de alarmante nisto. Era uma situação de uma transparência total que em nada beliscava a dignidade dos árbitros enquanto corporação. Desconheço, devo confessar, se nesses tempos também os árbitros teriam legitimidade para pedir escusa de dirigir os jogos de certas em equipa, o que faria todo o sentido em nome do princípio da reciprocidade. Penso que sim, que teriam esse direito alegando, por exemplo, que sendo adeptos de um determinado clube não se sentiam à vontade para apitar esse mesmo clube.
Por exemplo, se essa disposição ainda estivesse em vigor, o nosso Pedro Proença já podia com toda a transparência pedir-se isento de apitar o Benfas.
Quanto aos árbitros a vetar pelos benfiquistas, o caso neste momento apresentar-se-ia muito bicudo, resumindo, de difícil consenso.
Insisto em que esta velha situação não ofendia os árbitros. Pior foi, em termos de ego e de progressão na carreira, quando se viram sorteados como se não houvesse, para além do acaso de uma tômbola, ninguém com competência e isenção suficientes para os nomear.
Enfim, o veto a árbitros foi um tema da semana à boleia de uma inverosímil reunião “secreta”. Para secretismo, não está mal.”

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